domingo, 28 de fevereiro de 2010

cidades expectantes

dois dos lançamentos sobre os quais deposito mais expectativas foram hoje lançados pela muito recomendável olde english spelling bee (que caminha para se afirmar conjuntamente com a not not fun como a mais importante editora da actualidade).
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sobre suburban tours já havia tangencialmente levantado algumas questões aqui. aquilo que o todd ledford escreve sobre o disco é exactamente aquilo que eu espero ouvir : "but despite the loneliness and melancholic themes there is a remarkable amount of color to his music. Like it's the sound of what he'd want to have playing on his headphones while riding a bike thru these neighbourhoods -- the sound necessary to make these places seem lively and fun." ou seja, tudo aquilo que de bom posso esperar de algo com o nome de suburban tours. memórias da bmx incluídas.
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espero também que dagger paths se revele tão essencial como aquilo que miarches e especialmente 'glory gongs' fazem antever. tenho algumas reservas em relação ao david keenan quando diz "forest swords work as a hypnagogic update of classic uk underground modes, importing psychedelic hip-hop and r ‘n’ b production styles into the kind of eccentric art-pop settings of simon wickham-smith and richard youngs, two daughters, dome, the shadow ring et al." que me parece ser uma definição induzida (forçosamente) pelo amor professado pelo gajo dos forest swords em relação à dinâmica aalyiah/timbaland*. com alguma boa vontade este sentimento poderá até trespassar de algum modo nas batidas rarefeitas a simular groove e no uso dos samples de voz, mas prevalece a noção de espaço do dub sobre tudo isto. prefiro até pensar, sendo ele inglês, que tudo isto estará ligado de algum modo ao lado menos bovino do dubstep. tendo em conta esta mixtape para o gorilla vs. bear, tudo isto poderá fazer sentido. ou não, mas conjecturar faz parte da diversão.
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*além de não restar paciência para esta tendência exacerbada do keenan em usar o termo hypnagogic para tudo aquilo remotamente associado ao conceito de memória. não que alguma vez tivesse havido, para ser sincero.

baixa rotação nocturna

the cable house do andrew chalk não é uma novidade, mas enquanto paira uma ameaça subliminar de temporal e os dias se desenham a cinzento versão 2010, será essencial a sua descoberta. paira no seu próprio vazio, feito de uma estaticidade latente, sintomática de abandono. profundamente submerso na solidão, trata-se do disco mais "triste" que ouvi desde, sei lá, o disintegration loops do william basinski*. lindíssimo tratado sobre contenção, gere os semi-silêncios de um modo subtilmente tenso, conferindo a cada nota de piano que se solta uma dimensão humildemente majestosa. como se a sua lógica interna fosse seguida de um modo que se parece deslocar de tudo aquilo que o precedeu, revestindo-se de uma incomensurável emotividade. invocando essa mesma ausência. em pequenos gestos.
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*que poderá, com as suas diferenças, ser até uma referência pertinente.
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escrita letárgica (ou não fosse domingo) de abstracção sensitiva. ou meramente über-imagética. deve ser do avançado da hora. com agradecimentos à joana. defo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

fitas

um artigo sobre cassetes na pitchfork será sempre um artigo sobre cassetes na pitchfork. não sendo particularmente premente ou relevante, presta-se mesmo a especular sobre um suposto comeback, quando na verdade o meio sempre existiu. constata o óbvio e cai no erro de referenciar lançamentos mais marginais de bandas como oneida ou dirty projectors sem grande explicação para tal. enquanto peça meramente informativa, consegue, ainda assim cumprir o seu papel de modo minimamente digno. no fundo, é um espelho da própria pitchfork.
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quem se deixou (momentaneamente) do formato foi joe knight (rangers) que prepara o lançamento do seu primeiro álbum pela olde english spelling bee. deixei aqui algumas palavras a antevê-lo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

(re)começar

num contínuo com o ano transacto, mas como se a respirar os primeiros ares de 2010. por ora, o cheiro destas chuvas insistentes e estas 2 primeiras belas malhas :

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zinc ft. ms. dynamite - wile out

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aquele início com a voz da ms. dynamite em ondas de suavidade enquanto canta “you don’t wanna play with dynamite", soa terrivelmente desajustado, principalmente depois do petardo de 'get low' com produção do geeneus. felizmente o tema redime-se rapidamente com a entrada daquele sintetizador em saltos ukg via 'show me love' a levarem a prestação da ms. dynamite para territórios menos delicados, com o patois a acentuar a cadência 4/4 insistente (destacado nos pratos) que instala o tema em territórios mais afastados da síncope e a acercarem-se das produções vincadamente house do geeneus. tal, não será surpreendente tendo em conta o facto do zinc colaborar habitualmente com este último ('emotions' é obrigatória), mesmo que se demarque de uma certa agressividade persistente em crack house. deixa também óptimas indicações para o álbum de estreia da katy b, com a produção a cargo dos dois produtores*, mesmo que não venha alterar nada ao desinteresse generalizado ao regresso da ms. dynamite. consonante, portanto.

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*como se tal fosse necessário depois de coisas como a clássica 'as i' ou mais recentemente a refix de 'goodlife'

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illmana ft. tazmin - kiss you

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'kiss you' é uma espécie de companion piece cândida (por oposição a confrontacional) de 'ready fi de war' com a stush (disponível na mix funky vol. 4 do dj reflex). mantendo a mesma ameaça subliminar deste último tema, prenhe de agressividade rítmica, para transportar o instrumental (cuja cadência é igual) para ambiências marcadamente mais misteriosas, numa transversalidade entre a entropia de 'i wish' de x5 dubs com a teresa e o lado mais soturno de 'tell me what it is' do dj ng. paradigma de um desespero dançável na uk funky de que gosto demasiado sem recorrer a grande raciocínio.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

garota de verão

a bethany é uma rapariga muito divertida que canta sobre garotos e sol em best coast e me respondeu a algumas perguntas aqui.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

eleições

se o díptico throne/self destruction apresentava um demarcar da obra-prima KA, entre o drone de sofá drogado e o rescaldo da dança em formas líquidas, respectivamente, toda a coerência interna pós-caitlin cook/calder martin espelhada nos interessantes sunbomber, alternation ou no gozo (por vezes) inconsequente de debt dept. mostrava o estúdio como um meio asséptico para as semi-canções dos excepter*. com mais de duas horas**, nunca presidence seria sinónimo de coerência. atirando-se a todas as suas tendências em planos distintos, é talvez essa a razão que faz dele o melhor álbum dos nova-iorquinos desde throne (o tempo revelará se não mesmo desde KA). dito isto, facilmente incorro no risco de hipérbole ao afirmar que muito dificilmente irei ouvir mais 10 discos em 2010 que o superem. brevemente irei escrever sobre ele. existe muita matéria que se dispersa. a ver se não desaparece.
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*obra outsider, black beach levou-os até à praia, mas estava mais próximo do naturalismo do jewelled antler do que da alienação urbana de outrora.
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**gravações entre 2003 e 2009.
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notas de qualidade : a suite 'teleportation' traz de novo o reverb do poço, enquanto 'presidence' é um solo do john fell ryan para sintetizador em igual medida acid-house e 'suicide'. sem deixar de invocar a kösmiche e tony conrad, simultaneamente. uma anomalia não distante de algo como "falsa música de dança" (que pode até nos melhores momentos ser uma descrição bastante sucinta dos excepter, curiosamente***). e sem um único beat.
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***epitomizado em 'interplay' ('your house' e 'back room')