ainda existe. fervilham em lume brando algumas ideias dispersas que pretendo deixar aqui, assim que possível. para breve, creio. em jeito de recompensa (para quem?) deixo aqui o link para más fuego da princesa. reggaeton a cair em cascata sobre tudo aquilo que interessa no género, como já não ouvia desde casa de leones, e apenas disponível para download gratuito. é aproveitar. o single homónimo é aquilo que o jorge manuel lopes tão sucintamente descreveu.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
3/4
hype williams - untitled
teairra mari - sincerely yours ep
the fives ft. vanya taylor - it's what you do (hottest by far)
kingdom - that mystic ep
devine collective - people keep dancing
donaeo - i'm fly
gucci mane - the appeal : georgia's most wanted
breach - fatherless (doc daneeka rmx)
k michelle - what's the 901
fantasia - take me back
screama ft. farah - kiss me there/i can't
slk - hype hype (funkystepz rmx)
bee mask - canzoni dal laboratorio del silenzio cosmico
curren$y - pilot talk
eastwood - right there
ill blu - bits
hardhouse banton - freeness vol. 1
tifa - nah stop shine
ghetto - moonwalk thing
ignatz - mort aux vaches
prince rama - shadow temple
teairra mari - sincerely yours ep
the fives ft. vanya taylor - it's what you do (hottest by far)
kingdom - that mystic ep
devine collective - people keep dancing
donaeo - i'm fly
gucci mane - the appeal : georgia's most wanted
breach - fatherless (doc daneeka rmx)
k michelle - what's the 901
fantasia - take me back
screama ft. farah - kiss me there/i can't
slk - hype hype (funkystepz rmx)
bee mask - canzoni dal laboratorio del silenzio cosmico
curren$y - pilot talk
eastwood - right there
ill blu - bits
hardhouse banton - freeness vol. 1
tifa - nah stop shine
ghetto - moonwalk thing
ignatz - mort aux vaches
prince rama - shadow temple
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
identidade
apesar dos clássicos 'sirens' e 'reign' (recentemente alvo de uma remix de dumplin) serem a sua faceta mais visível, seria erróneo categorizar o hardhouse banton como um criador de riddims tendencialmente másculos de características grime. oferecida sem qualquer tipo de aparato, a compilação freebies vol. 1 permite constatar que o espectro vai muito para além dessa faceta. na verdade, aquilo que sobressai na obra dele é uma apetência para a criação de uma dimensão bem mais etérea do que seria previsível. precisa numa construção rítmica textural enquanto suporte para uma tangibilidade rarefeita e delicada na sua tensão alienante. freebies vol. 1 não procura ser, de modo algum, marca de água para as características do produtor, nem tão pouco almeja ser uma mixtape per se. encare-se como uma tentativa incoerente de juntar algumas das inúmeras pontas soltas de um género ainda refém da rádio (nada contra). desequilibrada, cai inevitavelmente em terreno desnecessário. ainda assim é impossível não destacar três malhas em particular:
peça fulcral para a compreensão do seu universo, a remix da 'turn it around' de alena é um daqueles exemplos gloriosos da capacidade cirúrgica da uk funky de transformar algo desinteressante/inócuo/intragável em algo infinitamente mais interessante de seu pleno direito, por via da restituição das suas premissas bases (remixes de ill blu para a 'one more lie' e roll deep), ou desvirtuando o seu elemento unificador até ao abandono ('better off as friends', 'find your love', etc.). neste caso, toda a euforia late 90's eurodance do original desaparece no vazio, para dar lugar a um misterioso exercício de final de noite, de sonambulismo psicotrópico. a batida segue uma lógica "one step forward, two steps back" em sintonia tensa com a melodia descendente. é neste precipício que a voz paira enquanto último resquício de um humanismo que se fragmenta no infinito aquando do refrão. e é mesmo este resultado final que prevalece, quando a memória já tratou de eliminar 'turn it around', e todas as questões (técnicas, ideológicas, etc.) em torno da sua origem deixam de ter qualquer tipo de significado.
duas malhas, até agora, desconhecidas partem de estratégias idênticas para acentuar a delicadeza que 'turn it around' insinua obliquamente. 'chase the earth' é aquilo que esperava que os n-10tainment pudessem vir a fazer depois de 'i pray' (acabaram por seguir uma lógica new age sofrível*). almeja uma mesma dimensão incorpórea (não querendo repetir este termo) sem se desapegar do apelo dançável, para a revestir de uma maior candura. habita um limbo arriscado, com esse lado etéreo em voos rasantes sobre o papel de parede pseudo-metafísico, mas acaba por resultar de um modo que não seria previsível. o reverb habita um pouco por todo o lado sem impor uma densidade sabotadora, com a voz a assumir contornos claramente condutores. talvez seja a minha capacidade de abstracção do seu lado cheesy, mas até aquela guitarrinha tropical me parece uma boa ideia.
'next to me' pode ser vista como o meio termo entre estas duas. num comprimento de onda similar a algo como 'make your move' do seany b, é reflexo do minimalismo melódico do seu autor. a estrutura polirrítmica linear enquanto suporte para uma melodia central ,que se vai repercutindo em camadas, até chegar a um refrão que acentue toda a tensão latente, é uma daquelas fórmulas que aprovo sem grande problemas analíticos. acabando por ser tão funcional quanto intrigante sem querer forçosamente deslumbrar.
*'peruvian high' acabou por me soar bem melhor do que qualquer aproximação a um tribalismo-lounge (?)
peça fulcral para a compreensão do seu universo, a remix da 'turn it around' de alena é um daqueles exemplos gloriosos da capacidade cirúrgica da uk funky de transformar algo desinteressante/inócuo/intragável em algo infinitamente mais interessante de seu pleno direito, por via da restituição das suas premissas bases (remixes de ill blu para a 'one more lie' e roll deep), ou desvirtuando o seu elemento unificador até ao abandono ('better off as friends', 'find your love', etc.). neste caso, toda a euforia late 90's eurodance do original desaparece no vazio, para dar lugar a um misterioso exercício de final de noite, de sonambulismo psicotrópico. a batida segue uma lógica "one step forward, two steps back" em sintonia tensa com a melodia descendente. é neste precipício que a voz paira enquanto último resquício de um humanismo que se fragmenta no infinito aquando do refrão. e é mesmo este resultado final que prevalece, quando a memória já tratou de eliminar 'turn it around', e todas as questões (técnicas, ideológicas, etc.) em torno da sua origem deixam de ter qualquer tipo de significado.
duas malhas, até agora, desconhecidas partem de estratégias idênticas para acentuar a delicadeza que 'turn it around' insinua obliquamente. 'chase the earth' é aquilo que esperava que os n-10tainment pudessem vir a fazer depois de 'i pray' (acabaram por seguir uma lógica new age sofrível*). almeja uma mesma dimensão incorpórea (não querendo repetir este termo) sem se desapegar do apelo dançável, para a revestir de uma maior candura. habita um limbo arriscado, com esse lado etéreo em voos rasantes sobre o papel de parede pseudo-metafísico, mas acaba por resultar de um modo que não seria previsível. o reverb habita um pouco por todo o lado sem impor uma densidade sabotadora, com a voz a assumir contornos claramente condutores. talvez seja a minha capacidade de abstracção do seu lado cheesy, mas até aquela guitarrinha tropical me parece uma boa ideia.
'next to me' pode ser vista como o meio termo entre estas duas. num comprimento de onda similar a algo como 'make your move' do seany b, é reflexo do minimalismo melódico do seu autor. a estrutura polirrítmica linear enquanto suporte para uma melodia central ,que se vai repercutindo em camadas, até chegar a um refrão que acentue toda a tensão latente, é uma daquelas fórmulas que aprovo sem grande problemas analíticos. acabando por ser tão funcional quanto intrigante sem querer forçosamente deslumbrar.
*'peruvian high' acabou por me soar bem melhor do que qualquer aproximação a um tribalismo-lounge (?)
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
vias
ainda no rescaldo da rentrée escrevi sobre a mais recente demonstração da night slugs daquilo que é plausível de ser dançado. ou interpretado. deixei também alguns apontamentos sobre o primeiro investimento visual de bom gosto no seio da uk funky. e uma hipótese tangível de crossover.
deixei também o preconceito de lado e decidi-me a ouvir a 'square one', finalmente. bem melhor do que poderia supor vindo de um projecto com o nome de mosca. inevitavelmente, projectava-me para os territórios lamacentos de caspa ou rusko. assumpções infundadas.
'square one' é um peça fragmentada. justaposição cautelosa que nunca evolui numa lógica estrita, antes fazendo da sua própria mutação a razão de ser. nuanceada de modo a não resvalar para um frenesim iconoclasta, mas suficientemente intrigante, deixa habitar o toasting reduzido ao essencial (a palavra), num mesmo plano em que procede à desumanização de vozes soul. a batida conduz-se algures entre o balanço tribal e a síncope metalizada de um roska, sem se deter em qualquer campo, minando-o à força das expectativas. se o objectivo passava pela criação de um objecto alienígena, recluso no seu manancial ideológico para o despir de qualquer sentido referencial, o resultado é pleno. quem procure algum conforto e empatia terá muitas outras alternativas.
'nike' segue a mesma tendência para a estratificação de um modo (ainda) mais auto-consciente. e em sentido ascendente. progride do 8-bit até à house mais funky, com passagem pelos ecos do dubstep, de um modo tendencialmente pacifista. nunca impositiva, pauta-se por uma sobreposição cuidada de todos estes elementos com vista à imersão, repisando território familiar para lhe conferir uma identidade muito menos reconhecível. um paradoxo?
deixei também o preconceito de lado e decidi-me a ouvir a 'square one', finalmente. bem melhor do que poderia supor vindo de um projecto com o nome de mosca. inevitavelmente, projectava-me para os territórios lamacentos de caspa ou rusko. assumpções infundadas.
'square one' é um peça fragmentada. justaposição cautelosa que nunca evolui numa lógica estrita, antes fazendo da sua própria mutação a razão de ser. nuanceada de modo a não resvalar para um frenesim iconoclasta, mas suficientemente intrigante, deixa habitar o toasting reduzido ao essencial (a palavra), num mesmo plano em que procede à desumanização de vozes soul. a batida conduz-se algures entre o balanço tribal e a síncope metalizada de um roska, sem se deter em qualquer campo, minando-o à força das expectativas. se o objectivo passava pela criação de um objecto alienígena, recluso no seu manancial ideológico para o despir de qualquer sentido referencial, o resultado é pleno. quem procure algum conforto e empatia terá muitas outras alternativas.
'nike' segue a mesma tendência para a estratificação de um modo (ainda) mais auto-consciente. e em sentido ascendente. progride do 8-bit até à house mais funky, com passagem pelos ecos do dubstep, de um modo tendencialmente pacifista. nunca impositiva, pauta-se por uma sobreposição cuidada de todos estes elementos com vista à imersão, repisando território familiar para lhe conferir uma identidade muito menos reconhecível. um paradoxo?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
constelação vs. fosso
rentrée bem suculenta do bodyspace, com uma bonita montra da parte de todos aqueles que fazem dela uma casa de respeito. creio. da minha parte houve resenha para does it look like i'm here?. semi-desilusão vinda dos emeralds. comparação pálida com os recantos difusos de what happened e (espero) um necessário ponto de chegada para algo mais auto-sustentável.
bem mais entusiasmante tem sido a fruição lenta desse maravilhoso poço que é a colaboração da margarida garcia com a marcia bassett. beleza em suspensão assombrada por fantasmas do melhor drone possível. ou seja, com espaço. ganho à densidade sem recurso a estratégias lower case estéreis. mesmo que exigente. é aquele afogamento bom. se possível.
bem mais entusiasmante tem sido a fruição lenta desse maravilhoso poço que é a colaboração da margarida garcia com a marcia bassett. beleza em suspensão assombrada por fantasmas do melhor drone possível. ou seja, com espaço. ganho à densidade sem recurso a estratégias lower case estéreis. mesmo que exigente. é aquele afogamento bom. se possível.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sublinhar
ainda na senda dos meus posts anteriores, constato que tanto o take me back da fantasia como o ep da teairra mari são mais duas belas adições ao cannon r'n'b deste ano. ou seja, fui mesmo exagerado.
o primeiro consegue ultrapassar o facto da fantasia ter uma voz genérica, com recurso a um cuidado particular na escrita das canções e o bom senso de não recorrer a acrobacias vocais inusitadas só para tentar escapar a esse mesmo aspecto incaracterístico. sincerely yours é uma aposta estranha num formato (quase sempre) remetido ao itunes sem qualquer promoção. poderia não ter justificação aparente com point of no return ainda fresquíssimo. e na obscuridade. mas dada a qualidade dos temas inclusos, dispersos por leaks, poderá até ser uma boa (embora subtil) chamada de atenção, agora que o regresso se afigura cada vez mais tangível. embora não preveja grande aparato em torno disso mesmo. ainda assim, a promoção nunca foi em demasia. nestes casos, entenda-se.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
rasurar
talvez tenha sido algo exagerado quando afirmei que o r'n'b se encontra num estado lacónico. comparativamente a anos transactos, 2010 até tem sido um ano bastante aceitável para o género. love king é óptimo, e o disco da monica deveria ser ouvido por muito mais gente. com 'skydiver' da cassie a elevar-se acima de tudo aquilo o que ouvi este ano, para além do classicismo formal, mas eficaz, de 'holding you down (goin' in circles)' e de parte de what's the 901 da k michelle (quando não incorre numa ferocidade over-the-top demasiado estilizada), seria injusto referenciar o ano como mais um passo numa curva descendente que já vem de 2005.
^^uma vez que ainda não ouvi raymond vs. raymond do usher (gostei da sumptuosidade da 'little freak'. no entanto a nikki minaj reitera para si grande parte do fascínio), the archandroid ou a mixtape da teairra mari, tudo aponta para um salto qualitativo ligeiro, mas notório. embora nada bata how to be a lady, vol. 1.
^^uma vez que ainda não ouvi raymond vs. raymond do usher (gostei da sumptuosidade da 'little freak'. no entanto a nikki minaj reitera para si grande parte do fascínio), the archandroid ou a mixtape da teairra mari, tudo aponta para um salto qualitativo ligeiro, mas notório. embora nada bata how to be a lady, vol. 1.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
visibilidade
já que estamos neste campo, e sem querer entrar pela exploração nevrálgica de razões potenciais para a ausência, acho curioso que a teairra mari tenha mais um oportunidade depois de ter sido ofuscada pela rihanna na estratégia do jay z em 2005*. não deixa de ser verdade que têm leakado malhas com uma frequência assinalável, mas quem poderia esperar que em 2010 (e no estado algo lacónico em que a generalidade r'n'b se encontra) o eternamente adiado at this point fosse descartado para dar lugar a uma nova criação?** 'honey, i am past that point' disse ela em entrevista à rap-up tv.
apesar de se ter tornado uma presença subterrânea, a consistência assinalável na generalidade dos temas ('automatic', 'sponsors', 'coinz'), até torna a ideia de um álbum não tão descabida como inicialmente se poderia prever. para já point of no return é ressonante desse mesmo corte com um passado sonâmbulo. mas qual a razão para incorrer numa vulgaridade low-cost tão rafeira quando já se perdeu tanto tempo com meras frivolidades? exigia-se algum calculismo.
*sorte que falhou a nomes como a yummi bingham, megan rochell (tivesse visto a luz do dia e you, me and the radio seria dos melhores álbuns dos 00's) ou brooke valentine. e ainda será legítimo esperar por um novo álbum da cassie? : x
**na verdade, foi o aparecimento desses mesmos leaks a fundamentar todo o processo de regravação. faria algum sentido at this point ver mesmo a luz do dia?
apesar de se ter tornado uma presença subterrânea, a consistência assinalável na generalidade dos temas ('automatic', 'sponsors', 'coinz'), até torna a ideia de um álbum não tão descabida como inicialmente se poderia prever. para já point of no return é ressonante desse mesmo corte com um passado sonâmbulo. mas qual a razão para incorrer numa vulgaridade low-cost tão rafeira quando já se perdeu tanto tempo com meras frivolidades? exigia-se algum calculismo.
*sorte que falhou a nomes como a yummi bingham, megan rochell (tivesse visto a luz do dia e you, me and the radio seria dos melhores álbuns dos 00's) ou brooke valentine. e ainda será legítimo esperar por um novo álbum da cassie? : x
**na verdade, foi o aparecimento desses mesmos leaks a fundamentar todo o processo de regravação. faria algum sentido at this point ver mesmo a luz do dia?
reaparecer
compreendo que a postura cockney possa até soar forçada de tão descarada e que a profusão de 'YEAH!' e 'GET ME' possam levar ao enjoo, mas todo o backlash contra o bruza sempre me pareceu exacerbado. a intransigência perante o sentido de humor sempre foi uma constante no grime (mesmo que 'duppy' seja prova em contrário), ainda para mais encarnado numa persona tão confiante na sua arrogância, mas doin' me era uma mixtape bastante decente e 'no one but u' é a melhor canção r'n'g de sempre.
reconhecendo essa mesma realidade, tales of the underdog é um título mais do que adequado. sem ponta de auto-comiseração. a edição grátis parecia-me algo improvável, mas tendo em conta todo o historial rocambolesco do disco*, até constitui o meio mais viável de promoção de um objecto que parecia ter-se há muito extinguido. está longe de ser brilhante, mas tal não seria exigido numa altura em que o desnorte no género tem levado à glorificação de alguém como o tinnie tempah ou do crossover patético do tinchy pós-cloud 9. também não é a montra da aftershock que se poderia esperar (apesar de meia dúzia de produções do terror danjah) e (desta feita) as participações de gente como a mz bratt garantem algum valor acrescido, sem desvirtuar o papel central do bruza.
apesar do périplo, a datação temporal nem é um problema. será até uma das suas virtudes. 'not to nite' é como um recuerdo de 2001/2, quando o mcing sobre malhas ukg era ainda uma entidade anónima. a presença do sticky e do spyro na produção enfatizam esta mesma ideia, sem acessos de nostalgia 'back in the old days' (suspiro). 'smile' com a ella james é um momento de vulnerabilidade extremamente compensatório, que atira para fora de água grande parte das tentativas recentes de diálogo. nos antípodas está uma 'appreciation' que, não só descarta a subtileza oblíqua dos sintetizadores loungy que permeiam o álbum, como recorre à lauren mason. a presença do james vemon é para ignorar, também. tales of the underdog merece alguma atenção.
*descartado por uma multinacional, esteve com lançamento físico via aftershock em 2007 para desaparecer no éter.
reconhecendo essa mesma realidade, tales of the underdog é um título mais do que adequado. sem ponta de auto-comiseração. a edição grátis parecia-me algo improvável, mas tendo em conta todo o historial rocambolesco do disco*, até constitui o meio mais viável de promoção de um objecto que parecia ter-se há muito extinguido. está longe de ser brilhante, mas tal não seria exigido numa altura em que o desnorte no género tem levado à glorificação de alguém como o tinnie tempah ou do crossover patético do tinchy pós-cloud 9. também não é a montra da aftershock que se poderia esperar (apesar de meia dúzia de produções do terror danjah) e (desta feita) as participações de gente como a mz bratt garantem algum valor acrescido, sem desvirtuar o papel central do bruza.
apesar do périplo, a datação temporal nem é um problema. será até uma das suas virtudes. 'not to nite' é como um recuerdo de 2001/2, quando o mcing sobre malhas ukg era ainda uma entidade anónima. a presença do sticky e do spyro na produção enfatizam esta mesma ideia, sem acessos de nostalgia 'back in the old days' (suspiro). 'smile' com a ella james é um momento de vulnerabilidade extremamente compensatório, que atira para fora de água grande parte das tentativas recentes de diálogo. nos antípodas está uma 'appreciation' que, não só descarta a subtileza oblíqua dos sintetizadores loungy que permeiam o álbum, como recorre à lauren mason. a presença do james vemon é para ignorar, também. tales of the underdog merece alguma atenção.
*descartado por uma multinacional, esteve com lançamento físico via aftershock em 2007 para desaparecer no éter.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
multiverso
tratando-se de uma pessoa pelo qual nutro o maior respeito e uma daquelas (poucas) mentes para quem a arte não se esgota numa prazenteirice (sic) desinteressada, para abraçar uma conceptualização livre de premissas estanques, já há muito que deveria ter feito referência ao filipe felizardo neste espaço. infelizmente, o blog dele tem estado inactivo, mas em jeito de compensação têm vindo a lume belíssimos podcasts semanais partilhados num mindset de comprimento de onda similar. ideal para o verão em toda a sua multiplicidade e espaço para a reflexão stream of consciousness. porque a arte (ainda) é partilha.
...e övöo espalhou também óptimas coordenadas ao longo de um trajecto volátil.
...e övöo espalhou também óptimas coordenadas ao longo de um trajecto volátil.
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