sexta-feira, 12 de março de 2010

caminho

pequeno texto meu na sempre aprazível página do a9))) no jornal de leiria. parte de algo maior que, tivesse eu computador, deixaria aqui na íntegra. no fundo, meia dúzia de palavras sobre apatia. nada mais.

'rude boy' é, sem dúvida, o melhor single da rihanna em muito tempo.


segunda-feira, 8 de março de 2010

mclane à presidência

rever pela enésima vez o die hard (mesmo antes dos oscars) levou-me a clarificar três ideias latentes :
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trata-se mesmo do it's a wonderful life do cinema de acção.
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criando o john mclane demarcou-se claramente do eixo niilista (i.e. super homem) alicerçado em filmes over-the-top como o cobra, comando ou da saga rambo (c/ excepção do primeiro)*, profetizando a queda do grande herói americano filmada em toda a sua plenitude nesse meta-filme que é o last action hero.
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por ter realizado também o predator, desculpam-se ao mctiernan coisas como o hunt for the red october ou medicine man. ou grande parte de uma carreira muito desequilibrada.
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*enquanto reflexão (estereotipada) das dificuldades de adaptação ao american lifestyle dos veteranos da guerra do vietname, first blood vai muito para além do artificialismo estupidamente bélico e pirómano de todos os consequentes. e só tem uma morte.
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em sentido contrário a qualquer imediatismo presidence dos excepter é como o white album que ny merece. debati-me com o épico aqui.

sexta-feira, 5 de março de 2010

areia negra

não sendo uma completa novidade, 'never be your woman' terá de ser louvada por se tratar da melhor coisa saída do grime desde 'trouble'. comparativamente, enquanto esta última assentava numa estrutura r'n'g algo óbvia mas auto-suficiente enquanto alicerce emocional para as interpretações (especialmente aquele refrão da shola ama), 'never be your woman' é uma bizarria instrumental que procura a negação de qualquer impacto emocional. com a batida resumida a umas congas subterrâneas, sustenta-se num balanço caribenho misterioso submerso em reverb, cujo baixo enfatiza enquanto abandono. "well i guess what they say is true / i could never be the right kind of girl for you / i could never be your woman". com a entrada daquele sintetizador ascendente, desvirtuado do background dançável, a acentuar todo o vazio latente. que parece querer persistir.

vai cinzento

bem melhor do que ...introducing. título tão em consonância com o dia de hoje. aqui.

quarta-feira, 3 de março de 2010

a casa do luís

melhor de sempre :

terça-feira, 2 de março de 2010

matthew broderick

foi também graças ao pedro rios que descobri estes games, que são o sonho molhado de qualquer gajo que acompanhe afincadamente as reposições do miami vice no fx, descubra psicadelismo na 'eyes without a face' e se delicie com as bso's dos clássicos do amiga. 'planet party' trata-se disso mesmo, quando a bola de espelhos exerce um fascínio espacial e se pensa no phil collins ao ouvir os surtos vocais. 'everything is working' é o steakout sensual com um groove g-funk a imaginar os imogen heap a ecoar em fundo.
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as conclusões a tirar são :
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a) that we can play será certamente um dos ep's mais queridos de 2010.
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b) nada de mau poderá vir do cérebro do daniel lopatin (opn, infinity window et. al).
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c) 'crockett's theme' é essencial.

alto astral

depois das belíssimas explorações free-folk, o meu querido pedro rios entrega-se às memórias granuladas de um verão em super 8. a conferir com um sorriso no blog de branches enquanto se espera a chegada do sol.

segunda-feira, 1 de março de 2010

deixar o indie

não será, de todo, surpreendente que acolyte dos delphic tenha sido alvo de rasgados elogios um pouco por toda a imprensa britânica. sabe-se de antemão das leis proteccionistas da crítica por este tipo de confecções dançáveis e subtilmente melancólicas made in uk, geralmente inúteis. ressalvando que a minha paciência para com algo que poderá ser apelidado de "indie-dance act" não será a maior, (ou mesmo não existente) a pertinência deste post está toda na capacidade do emergente julio bashmore transformar um desinteressante exercício pós-modernista de revisão estilosa a technique em algo infinitamente mais entusiasmante. paradoxalmente mais modesto e sem qualquer tique rock eufórico-estilizado (= inconsequente). nem se trata, tão pouco, de uma canção. aproveita-se da melodia central para a recontextualizar em sucessivos andamentos subtis na linha de this bliss do pantha du prince com acesso a uma linha de baixo 2-step discreta e uma tonalidade geral de pós-festividade apaziguadora. e é tudo aquilo que necessito.
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o l-vis 1990 ainda consegue noutras latitudes resultados superiores ao original por força do wobble se rendilhar em síncopes mais provocantes (i.e. funky), mas deixa-se prender demasiado à estrutura, mantendo aquela voz insuportável de sofrimento fofo. vale o que vale.
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^^a conclusão possível a tirar é que 'halcyon' existiu para ser remisturado. no éter a sua vida extingue-se. esperemos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

baixa rotação nocturna

the cable house do andrew chalk não é uma novidade, mas enquanto paira uma ameaça subliminar de temporal e os dias se desenham a cinzento versão 2010, será essencial a sua descoberta. paira no seu próprio vazio, feito de uma estaticidade latente, sintomática de abandono. profundamente submerso na solidão, trata-se do disco mais "triste" que ouvi desde, sei lá, o disintegration loops do william basinski*. lindíssimo tratado sobre contenção, gere os semi-silêncios de um modo subtilmente tenso, conferindo a cada nota de piano que se solta uma dimensão humildemente majestosa. como se a sua lógica interna fosse seguida de um modo que se parece deslocar de tudo aquilo que o precedeu, revestindo-se de uma incomensurável emotividade. invocando essa mesma ausência. em pequenos gestos.
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*que poderá, com as suas diferenças, ser até uma referência pertinente.
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escrita letárgica (ou não fosse domingo) de abstracção sensitiva. ou meramente über-imagética. deve ser do avançado da hora. com agradecimentos à joana. defo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

fitas

um artigo sobre cassetes na pitchfork será sempre um artigo sobre cassetes na pitchfork. não sendo particularmente premente ou relevante, presta-se mesmo a especular sobre um suposto comeback, quando na verdade o meio sempre existiu. constata o óbvio e cai no erro de referenciar lançamentos mais marginais de bandas como oneida ou dirty projectors sem grande explicação para tal. enquanto peça meramente informativa, consegue, ainda assim cumprir o seu papel de modo minimamente digno. no fundo, é um espelho da própria pitchfork.
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quem se deixou (momentaneamente) do formato foi joe knight (rangers) que prepara o lançamento do seu primeiro álbum pela olde english spelling bee. deixei aqui algumas palavras a antevê-lo.